Inéditos e Dispersos - blog de Karen Debértolis


Mudança de casa

Agora o Inéditos e Dispersos está em novo endereço.

Dê uma chegada lá para conferir as novidades da casa:

 

http://karendebertolis.blogspot.com

 

 



Escrito por Karen Debértolis às 12h47
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Songs from liquid days

 

Estrela, Estrela

Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos

E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção

(Vitor Ramil)



Escrito por Karen Debértolis às 16h09
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As mãos preciosas do escritor Hernani Donato que já nos presenteou com tantas palavras.

Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente durante a última viagem à São Paulo.

Por enquanto, um instante captado por Fernanda Magalhães

enquanto ele nos falava de sua pesquisa sobre o Caminho de Peabiru.

 



Escrito por Karen Debértolis às 18h23
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Algumas flores

teimam em viver

apesar do tempo

apesar do peso

apesar da morte

apesar de algumas

que teimam em morrer

apesar de tudo

(Alice Ruiz)

 



Escrito por Karen Debértolis às 14h21
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Secretaria da Cultura e Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic)

 

convidam para a mesa redonda

 

“Mulheres Londrinenses na Literatura”

 

participantes : Karen Debértolis e Célia Musilli

 

8 de março ( quinta feira)

 

às 20h30

 

na Biblioteca Pública de Londrina

(Avenida Rio de Janeiro, nº 413)



Escrito por Karen Debértolis às 13h37
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Muitos dias distantes. Um mês praticamente. Tempo de amigos. Alguns que passam pela cidade, alguns que partem.

Durante o carnaval, a presença do Maicknuclear para um bom bate papo noturno sobre letras e livros.

Depois do carnaval a partida do fotógrafo Fábio Gatti que vai se aventurar em terras baianas e levar a sua arte para lá.

No final de semana, a presença delicada do bailarino Anderson Casagrande que nos trouxe a sua versão de Ofélia, produzida e apresentada no estúdio de Kazuo Ohno, em Yokohama, no Japão, no final do ano passado.

Um trabalho maduro. Dança, teatro, estética plástica rebuscada, poesia.

Um engasgo na garganta. Ele também retorna à Alemanha.

Mas, estão todos presentes ainda aqui, ao meu lado. Ainda.

 



Escrito por Karen Debértolis às 13h26
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No blog da Ana

 

As boas novas vêm mais uma vez da poeta Ana Ramiro.

Ela está comemorando um ano do seu blog "Folhas de Girapemba" através da publicação de doze poetas.

Tenho a honra de estar neste seleto grupo.

Tem alguns textos meus e uma ilustração da Fernanda Magalhães (http://fermaga.blogspot.com)

nesta coletânea virtual que a Ana está publicando.

Para conferir acesse http://girapemba.blogspot.com.

  



Escrito por Karen Debértolis às 15h38
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DILÚVIO INTIMISTA

 

 

Estava chovendo tanto! Minhas grandes goteiras não suportavam mais. O gato já tinha saído da sala porque meu olhar já começava a ultrapassar o assento das cadeiras.

- Eu ouvi, ela lhe fez confidências. Ele riu desesperadamente e disse que ela estava sonhando -

A água começa a inundar o tapete da sala. Oh! Céus! (e agora?) Noé saiu para comprar cigarros!

 

 



Escrito por Karen Debértolis às 09h38
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Silêncio

 



Escrito por Karen Debértolis às 14h38
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Um conto em três postagens, afinal o uol limita o número de caracteres.... 

 

 

12X8

 

                       

           

 

            Ninguém viu. Ela levantou-se e foi embora. Pisando duro e tentando segurar a dor que vazava pelos lados, na altura da bacia, andou uns tantos quarteirões quase que instintivamente. Eles a conheciam. Era ritual constante: chega senta estica o braço aparelho apertado mede a pressão. Das artérias. E o sangue corre tranqüilo em suas veias. Mas, aqueles homens e mulheres de branco se espantaram. Às tantas horas que eram, aquela mulher só, a caminho. E foi assim, deste modo, que as vírgulas da frase compassaram. E a voz quase sem fôlego apenas disse: o médico. Correu em seguida para a primeira cadeira vazia. Canetas, papéis e algumas perguntinhas burocráticas imbecis. Ela entrou na pequena sala e quase tropeçou na cadeira de tão exíguo espaço.

Veio o tal. Perguntou o que era. O acontecido. Ela arrumou o cabelo prendendo melhor o coque. E contou num supetão só: eucaidotelhado. Palavras grudadas. Mais detalhes: a televisão não tem muita definição por problemas da antena que já é velha e fica girando no telhado com perigo de cair na cabeça de qualquer um. Então, depois de pedir dois meses para o meu filho resolvi acabar com a questão. Levei uma caixa de ferramentas de meu marido, ele faleceu e me deixou a caixa. Fui subindo devagarzinho pela escada e com cuidado cheguei ao topo da casa. É bonita a vista ali de cima. O senhor sabe, acho que dá para ver até a cidade vizinha. Eu me lembro de lá, era só mato quando eu cheguei aqui. Diz que tinha até índio, mas eu, às vezes, duvido. Bom, então, eu estava contando, né,  fiquei lá em cima e vou confessar que tive um pouco de medo. Mas, logo eu que trepava em árvore desde menina pegava uns pêssegos no pé lá detrás de casa para a mãe fazer um suco cremoso. E daí eu comecei a tentar arrumar o estrago que uma chuva com vento tinha feito na antena. Um monte de hastes despregadas daquela parte maior do meio, sabe? Eu pensei que seria bom pregar e achei uns preguinhos dentro da caixa de ferramentas do falecido. E comecei a bater os pregos e quase perdi o equilíbrio. Me seguirei na antena e fiquei meio pendurada. Dei uma mexidinha, a antena girou e consegui alcançar o meio do telhado novamente. Daí sentei. Comecei tudo de novo e não teve jeito. Perdi o equilíbrio de vez e fui deslizando pelo telhado. Claro, segurei o vestido porque, afinal, uma senhora de respeito como eu não ficava bem, o senhor sabe. E eu não sei como aconteceu, mas caí retinha na calçada. De joelhos dobrados. E aí começou a doer a bacia. Então, resolvi vir aqui. 



Escrito por Karen Debértolis às 21h43
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Fechei as aspas do relato daquela senhora à minha frente com certo espanto. Ainda me pego fazendo toda a retrospectiva mental possível. Muitas vezes, em casa, a pia pingando água para desespero de meu bolso e é como se também pingassem pensamentos na minha cabeça. Relances do meu trabalho diário.

E eu confesso, meio desajeitado, que depois de anos de profissão fiquei atônito. É como se estivesse em frente ao primeiro cliente. Aquela vitalidade, aqueles olhos brilhantes desbancaram toda a teoria dos meus livros na estante.

Mas, peguei a caneta como se escrever me fizesse entender melhor. Altura da queda, anotei rapidamente no prontuário. Deve ser uns três metros, ela respondeu displicente. Levantei os olhos espantados e ela me olhou tranqüila. Idade. Ah! Moço eu sou muito velha, o senhor não me conhece direito porque está aqui há pouco tempo. Idade, insisti. 93. Talvez tivesse ouvido errado e, por isso, repeti alto. Era verdade.

Saímos ali da sala, que mal dava para acomodar nossos pares de sapatos sem se chocarem a todo momento por baixo da mesa, e ela veio atrás de mim quieta. Passamos pelos corredores com algumas macas, cruzamos o saguão em frente ao centro cirúrgico e entramos à direita. Sala de raio X. Mas, ela pediu se podia cumprimentar a moça do cafezinho. Assenti com a cabeça. E ela saiu como uma adolescente que vai encontrar os primeiros amigos.

Voltou quinze minutos depois acompanhada de duas enfermeiras. Parou na minha frente, mas não deixou de conversar com as duas. Todas as revistas de ponto cruz prefiro comprar ali naquele jornaleiro conhecido meu. São importadas. Mais caras, mas criativas. Coloquei a minha mão sobre seu ombro e disse suplicante – raio X.

Ela foi. Deitou sobre a caminha sem precisar dar maiores explicações. Radiografamos. Pedi para que esperasse no corredor. Não acreditei nos resultados e chamei o técnico. Havia algum engano, troca de exames, erro no nome da paciente. Não senhor, tudo certo me disse meio indignado.

Lá fora ela esperava sentadinha como um anjo. Voltamos para a sala exígua que teimavam em chamar de consultório. Ela estava um pouco tensa. Disse-lhe que não havia nada, mas precisava examinar a bacia. Esgueirando-se no estreito espaço entre a mesa e a maca de exames sentou-se e ficou à espera. Apalpei toda a região e constatei apenas pequenas dores. Testei reflexos. Muito bons. Medi a pressão. 12 por 8. Batimentos cardíacos. Excelentes. Pulmão. Ouvido. Garganta. Só faltou exame oftalmológico.



Escrito por Karen Debértolis às 21h42
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Três metros de altura e nenhum pêlo fora do lugar. A senhora tem certeza que caiu do telhado? É claro. Como eu disse para o senhor eu fui fazer apenas um conserto na antena. Daí parou e encarou-me de frente. Sua mãe, falou abrindo um sorriso. Paralisei, intrigado. Dona Vilma, não é mesmo? É, ela mesma. Moço, como você cresceu! Nem parece aquele menininho de perninha fina, magricelo que corria com meu filho mais novo no quintal de casa.

De repente busquei no porão da memória. Humberto. Um bom amigo. Engenheiro petroquímico, agora. Salário a peso de ouro. Viagens internacionais. Simpático...como a mãe. Encontramos-nos recentemente em um aeroporto. Eu ia para Uberaba. Ele, um vôo internacional.

Foi ele que não quis subir no telhado para arrumar a antena para a senhora? Não, este foi o mais velho. O Bertinho é um mimo só, menino santo. Ele até ficou preocupado quando liguei dizendo que estava com dores aqui embaixo nas costas. Oque deu no exame, hein, doutor?

Nada.(Fui lacônico demais, eu acho). A senhora simplesmente não teve nada. Mas, eu realmente não consigo entender como.

Foi nosso senhor jesus cristinho. É, o senhor pensa o quê? Eu só ando protegida com uma medalhinha dele junto aqui ao coração. Afora isso, tem o anjo da guarda, né? E o meu cachorro, o Bentão, que cuida muito bem da casa. E eu acho que outra coisa também...

Mas, o que o cachorro tem a ver com isso? A senhora... a senhora...Dona Irma, não é? A senhora não caiu em cima do cachorro, né? Não, disse ela dando uma gargalhada, nada disso, ele só cuida da casa para mim.

Bom, então vou dar algumas pomadinhas para a senhora passar aí nesse lugar que dói.Para evitar que fique roxo, sabe, e que a senhora force muito com movimentos bruscos e se torne algo mais sério. Tem também este remedinho para dor, qualquer coisa a senhora toma. Ah, sim, e meu telefone está neste cartão.

Ela se ajeitou no vestido e pegou a bolsa do chão. Olhou bem firme e deu um sorriso. Os olhos brilhavam. Estendi a mão e apertei suave a dela. Macia e quente. Ela virou-se de costas desviando da cadeira e abriu a porta. Quando achei que fosse embora voltou para trás. Ergui a cabeça desviando os olhos das anotações.

Tenho sete vidas como um gato, o senhor é muito novo e vai aprender com a vida. Há momentos que uma mão invisível nos acolhe. Eu sei que o senhor nunca vai acreditar, mas quem me segurou foram dois velhinhos que já bateram as botas há muito. Agora são meus anjos. Eles estão bem aqui ao meu lado olhando para o senhor e rindo. Só virei os olhos conferindo em volta. Ah! O senhor ainda não está na idade de ver... Fechou a porta.

Depois de anos, ainda tenho dúvidas se vi mesmo uma mão enrugada pousar firme sobre o vestido. É, bem naquela região das nádegas. Aqueles anjos safados.

A senhora ainda mora por aqui. A mesma pressão de sempre: 12 por 8. Nenhum problema cardíaco, nenhuma alteração de saúde. Manda-me flores constantemente e me chama de “meu doutorzinho”.

            Não sei se por praga dela ou para testar a minha desconfiança nas coisas que não são deste mundo, às vezes, acordo à noite como se alguém se achegasse a mim na cama. Numa madrugada dessas, bêbado de sono, acordei e, não sei bem se sonhei, uma mão feminina acariciava os pêlos de meu peito. Deve ter sido ilusão. Ou um profundo estado de carência afetiva.Ou talvez alguém esteja mesmo guardando meus passos e sempre à espreita para quando eu cair do telhado.




Escrito por Karen Debértolis às 21h35
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Sintonias

 

 

2007 começou bem. Leituras deliciosas neste janeiro chuvoso e nublado. A poeta Ana Ramiro (http://girapemba.blogspot.com) me presenteou com sua plaquete de traduções  “Para fazer um talismã”. Somente o melhor da poesia feminina argentina. Para deleite, um poema de Dolores Etchecopar :

 

AS MÃOS PERMANECEM APAGADAS

 

Mais pranto

mais pranto para moer esta rosa de pedra

este golpe de asas no sangue

esta fúria do ar que busca suas feridas

em meu peito

Meu coração lateja num buraco da noite

entre longas punhaladas de silêncio

Necessito de todas as folhas em branco

para cravar minha sombra

Todas as folhas em branco

para recolher migalhas de palavras

restos de pão de lendas.

 

 

E logo depois, chegou na caixa de correio outro envelope especial. O livro “Rasgada” da poeta Ana Rüsche (http://peixedeaquario.zip.net). Uma bela edição em papel reciclado produzida pela Quinze & Trinta Edições. Transgressões irreverentes. Outro deleite:

 

festa de j.

 

primeiro os grampos de meu cabelo despencaram

depois foi a vez das roupas

por fim eu própria me esponjava no chão

 

 

Aos poucos também tenho me embrenhado pelo livro do escritor Jorge Cardoso (http://www.bladesanta.blogspot.com). Li a primeira vez sobre “Um cavalo no cemitério de Deus” no blog do Mário Bortolotto (http://atirenodramaturgo.zip.net) . No final do ano passado ganhei o livro da Atrito Art Editorial. Uma leitura avassaladora. Arrebatadora. Apenas um autor me abismou de uma forma tão intensa: há muitos anos atrás, o Bortolotto. Para mim, Jorge Cardoso deve estar na lista de todo leitor inteligente.  



Escrito por Karen Debértolis às 12h43
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Os desafetos do escritório

 

 

            Certamente se n. tivesse me ajudado eu não estaria agora nesta situação, assim, como numa encruzilhada. Isto porque se for pensar bem a falta de atenção com a qual p. me tratou. É, se os dois tivessem me ajudado, pelo menos, com alguns poucos números da agenda de endereços, alguns telefonemas, um sorriso. Mas o que talvez tenha significado o total desrespeito foi a rasteira imoral provocada por e., aquele salafrário. Numa noite qualquer aquele e-mail cínico na minha caixa postal. Pior mesmo foi n. não me falar sobre aquela vaga, justamente para a minha área, que abriu no escritório na Rua das Vieiras. É, depois teve a petulância de me chamar para uma peixada. Mais indecente ainda foi l., dispensada do emprego logo depois de me promover. A promoção? Só ela sabia da maldita na repartição. Parece mesmo perseguição, mas na seqüência a outra l. , de cabelos compridos e lábios grossos,  indicou outro indivíduo para fazer o imposto de renda daquela empresa de pesquisa. É uma desgraça mesmo. Ainda antes teve a história com p.. Aquele sim, um sacana. Anos antes tinha me arrumado um trabalho em que os mandantes me deram o calote (sim, porque eram realmente uns bandidos e até hoje nem sei direito do que se tratavam aqueles cálculos). Da última vez, era um dos jurados do concurso anual dos contadores mais honestos do ano. Eu era um dos finalistas, ele foi apontado como um dos infratores da banca. Sim, claro, d. , também estava, mas desta tenho dó. É, realmente isto não foi nada diante da empáfia de r.  em me difamar. Sempre a mesma história pelas costas. A acusação de ter aprovado contas não tão corretas. Ele, que faz vistas grossas às licitações municipais. Ele, que anda aos cochichos com assessores suspeitos. E o que falar de c., a megera com sua cabeleira crispada pelos pensamentos vis.  Mulher de maus hábitos, que se acoxava a homens rudes, de odor pestilento, que comiam costelas gordurosas com as mãos sujas de graxa e com seus dentes à mostra. Sim , não nos esqueçamos de v., talvez o pior da lista. O mais ordinário dos homens que esta terra viu nascer. O mais indisfarçado dos malandros, o mais desonesto dos homens corretos de nossa sociedade, o mais inculto dos eleitos pelas academias. Este que me classificou de torpe, que me acusou antes mesmo de ter provas, que me apontou como o corrupto diante de situação nenhuma. Este que ri como hiena, que se porta como um galo empedernido, mas que é um mandraque. E o que podemos dizer de g., falso e vil. Que se compraz em torturar seus pacientes de quem usurpa até os últimos níqueis. Tão asqueroso e imundo de pensamentos quanto b., que mais parece um bobo da corte de músculos. E a lista segue consistente. Mesmo não tão perigosa, é preciso tomar cuidado com o sorriso afável de s..Com certeza, é o mesmo caso de a. que me infernizou com suas ironias. Ou como l., o que não tem cérebro, e patenteia até mesmo a marca alheia em seu próprio papel higiênico. Meu deus, não posso deixar de citar o mais imundo dos seres. Justamente, f., o dos processos judiciais. Aquele que se passa por injustiçado, discriminado, incompreendido. Aquele que copia: idéias, maneiras à mesa, papéis, riscos sinuosos, indisfarçadamente. Antítese de r., que conversa com sua própria mão, por considera-la, ele mesmo, a de anatomia mais perfeita deste planeta. E o grande plagiador m., então, que se associa a pilantras para usurpar palavras? A ele, os nossos aplausos pela maestria com a qual escava as narrativas alheias.  Mas, o que me enoja mesmo é encontrar com z., que diz que é só amigo de e. É demais mesmo! O pior é w. na mesa do canto da sala com aquele olho esbugalhado sobre nós e dizendo que não nos vigia. E aquela s., cada dia fico mais à espreita. Inconfiável. Mas, eu ia me esquecendo de j.. Depois que arranjou aquele empreguinho no escritório de baixo, ficou muito arrogante. Que inferno está se tornado este prédio. Aqui da minha mesa, posso ouvir um ignorante que grita impropérios à secretária. Como é de praxe, os medíocres têm que tornar pública a sua burrice.  Eu já fiz a minha mala, comprei uns explosivos que devem ser suficientes. A cada olhar l. parece adivinhar meus segredos. Tenho planos, para bem longe. Nunca mais quero me referir a estes monstros. Vou sair de fininho e deixar um bilhete sombrio no colo de s. , aquele que me interroga com seu cinismo toda a manhã quando passo pela portaria. Já encaminhei os papéis perigosos que c. guardava no fundo falso da mesa. Uns homens engravatados virão vasculhar o seu armário daqui a dois dias. Talvez não restem muitas letras depois. Vou deixar uma flor, de plástico, é claro, dentro do pote de canetas da minha escrivaninha.  Nem abelhas, nem inseto algum que habita este espaço infétido irão aproximar-se. Mas a presença insistente, distante, tão falsa da flor, irá retalhar o coração de m. , aquela farsante, que me negou o amor.



Escrito por Karen Debértolis às 11h26
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20 de janeiro.

estou à beira do mar. das imensas águas escuras de tarde que enegrece, vejo a mata do outro lado.

beira mar que é rio.

meu amigo de anos aponta seus olhos para o mar, para o barco em frente, ancorado, com cães que ladram.

à beira mar comendo ostras.

decifrando palavras. recortando palavras. entrecortando. um tempo feio. nuvens. bordas de nuvens, limítrofes.

à beira de mar.  



Escrito por Karen Debértolis às 22h41
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